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As unidades digitais são hoje omnipresentes — usamos megas, gigas e teras para descrever fotografias, planos de dados móveis, discos rígidos e cloud storage. Mas por trás desta aparente simplicidade esconde-se uma das maiores fontes de confusão do universo tecnológico: a diferença entre unidades decimais e binárias.
O byte é a unidade base do armazenamento digital. Um byte contém 8 bits — dígitos binários que assumem os valores 0 ou 1. Historicamente, o byte foi definido para representar um carácter alfanumérico (letra, número ou símbolo) num computador. Os múltiplos do byte crescem em potências: kilobyte (KB), megabyte (MB), gigabyte (GB), terabyte (TB), petabyte (PB), exabyte, zettabyte, yottabyte.
Aqui começa a confusão. Nos primeiros tempos da informática, os prefixos do sistema métrico (kilo, mega, giga) foram adoptados de forma pragmática, mas com valores baseados em potências de 2 em vez de potências de 10 — porque a arquitectura binária dos computadores tornava mais natural trabalhar com múltiplos de 1 024 (2¹⁰) do que de 1 000. Assim, durante décadas, 1 KB significou tanto 1 024 bytes (na indústria de software) como 1 000 bytes (na indústria de telecomunicações e discos).
Em 1998, a Comissão Electrotécnica Internacional (IEC) criou oficialmente novos prefixos para eliminar a ambiguidade: kibi (Ki), mebi (Mi), gibi (Gi), tebi (Ti), pebi (Pi). Estes prefixos representam claramente as potências de 2: 1 KiB = 1 024 B, 1 MiB = 1 048 576 B (2²⁰), 1 GiB = 1 073 741 824 B (2³⁰). Os prefixos originais (kilo, mega, giga) ficaram formalmente reservados para as potências de 10.
Apesar da normalização, a adopção foi lenta e inconsistente. A maioria dos fabricantes de discos rígidos e SSDs usa hoje as unidades decimais (SI) — daí a discrepância famosa entre a capacidade anunciada e a mostrada pelo sistema operativo. Um disco de 1 TB tem 10¹² bytes na etiqueta, mas o Windows mostra apenas 931 GB, porque na verdade está a mostrar 931 GiB (potências de 2). Não falta espaço — é apenas uma diferença de convenção.
Memória RAM continua a ser medida em unidades binárias: 8 GB de RAM significam realmente 8 GiB (8 × 2³⁰ bytes). Ficheiros também são frequentemente medidos em unidades binárias pelos sistemas operativos. Redes de dados, por outro lado, usam decimais: um plano de 100 Mbps refere-se a 100 milhões de bits por segundo, não a 100 mebibits.
Outra confusão frequente é entre bits e bytes. As velocidades de rede vêm quase sempre em bits por segundo (Mbps, Gbps), enquanto o tamanho de ficheiros vem em bytes. Para saber quanto tempo leva a transferir 1 GB numa ligação a 100 Mbps: 1 GB = 8 000 Mb (megabits decimais), divididos por 100 Mbps = 80 segundos, mais overhead. A confusão entre estas unidades faz muita gente pensar que a sua ligação está muito mais lenta do que realmente é.
Em 2024, os limites do armazenamento consumidor situam-se nos terabytes. Discos externos comuns têm 2 a 8 TB. Serviços cloud pessoais rondam os 1-2 TB. Grandes empresas e data centers começam a lidar com petabytes (10¹⁵) e exabytes (10¹⁸) de dados. O universo inteiro da Internet estima-se hoje na ordem dos zettabytes (10²¹).
Use este conversor sempre que precise de traduzir entre unidades — para calcular espaço necessário, comparar propostas de cloud storage, estimar tempos de transferência ou entender a discrepância entre a capacidade anunciada de um disco e a que aparece no seu sistema. A tabela apresenta o valor introduzido em todas as unidades em simultâneo, decimais e binárias.