Artigo completo
A inflação é um dos fenómenos económicos mais discretos e simultaneamente mais destrutivos para o património das famílias. Definida como a subida generalizada e sustentada dos preços dos bens e serviços, a inflação erode silenciosamente o poder de compra do dinheiro. Um euro guardado hoje debaixo do colchão vale, daqui a dez anos, significativamente menos em termos reais — mesmo continuando a ser um euro em termos nominais. Em Portugal, a inflação é medida pelo Instituto Nacional de Estatística através do Índice de Preços no Consumidor (IPC), que acompanha mensalmente a evolução dos preços de um cabaz representativo dos consumos das famílias. O IPC inclui doze categorias principais, das quais habitação, alimentação e transportes são as mais relevantes. A variação homóloga do IPC — comparação com o mesmo mês do ano anterior — é a taxa de inflação anual mais frequentemente citada nos meios de comunicação. Historicamente, Portugal registou períodos de inflação muito díspares. Nas décadas de 70 e 80, chegou a ultrapassar os 30% ao ano, resultado dos choques petrolíferos e da instabilidade económica. A adesão ao Euro trouxe estabilidade e a inflação manteve-se abaixo de 3% durante quase duas décadas. Os anos de 2022 e 2023 marcaram um regresso brusco da inflação alta, com o IPC a chegar aos 10% em alguns meses, devido à guerra na Ucrânia, à crise energética e a disrupções nas cadeias de abastecimento globais. Do ponto de vista pessoal, a inflação tem consequências profundas. Poupanças em depósitos a prazo com juros abaixo da inflação perdem valor real. Salários não indexados à inflação reduzem o poder de compra ano após ano. Pensões que não acompanham a inflação empobrecem os reformados. Para se proteger, é essencial que os investimentos gerem uma rentabilidade superior à inflação — a chamada taxa real. Um depósito a 2% com inflação a 5% dá uma rentabilidade real negativa de 3%. Investimentos em acções, imobiliário, obrigações indexadas à inflação e alguns activos alternativos tendem a preservar melhor o poder de compra a longo prazo. Utilize esta calculadora para perceber o impacto histórico da inflação nas suas poupanças, para planear objectivos de longo prazo em termos reais ou para avaliar a razoabilidade de propostas salariais em contexto inflacionário.